E voltamos com a segunda parte do guia!

Ao longo do recesso (no momento que você lê já se passou cerca de um mês do meu recesso), assisti novos filmes (e deixei muitos, muitos mesmo na lista) e tive novas ideias pros itens da segunda parte do guia. Além das sugestões de filmes introdutórios e essenciais, vou deixar algumas outras ainda mais outside, pra quem quer se aprofundar em mais camadas sobre o terror.

Como são muitos filmes, vou deixar apenas dez sugestões nessa parte 2. Pode preparar a pipoca e apagar a luz.

Lembrando que essa lista é feita com base na minha opinião e tudo bem você discordar de algum item por aqui.

Filmes introdutórios

The Blackening (2023)

Terrir, essa mescla entre o terror e a comédia tão popularizada no cinema, é uma excelente forma deee introduzir novas pessoas ao terror, justamente por conta da leveza e descontração das histórias. No caso de The Blackening, além de um roteiro super engraçado, o filme brinca com todos os estereótipos possíveis de personagens negros em histórias de terror e, inclusive, faz piadas muito inteligentes sobre racialidade (além de dar uma pincelada em algumas temáticas aqui e ali). Destaque pra Jermaine Fowler, que faz o esquisitíssimo Cliffton, Antoniette Robertson, que faz a Lisa e Yvonne Orji, que vocês devem conhecer de Insecure.

Onde assistir: Apple TV+

Bodies Bodies Bodies (2022)

Esse eu acho que é um dos filmes que, se já não faz esse papel de porta de entrada, certamente vai fazer nos próximos anos. Uma narrativa muito conectada com a geração Z, com elenco diverso e temáticas relevantes pros debates atuais sobre identidade e gênero, e que não deve envelhecer tanto até a geração alpha começar a se interessar por terror. Se tratando sobre experiência slasher, vale o play. Gostei da Myha'la Herrold e da Chase Sui Wonders, que fazem Jordan e Emma, respectivamente.

Onde assistir: HBO Max

Fale comigo (2023)

Esse chamou bastante atenção ano passado e (como sempre) ganhará sequência em breve. Fale comigo é bem legal enquanto um filme sobre possessão, explora outras possibilidades dentro do subgênero e traz um debate legal sobre como lidamos com as perdas, tanto com relação ao sentimento de quem já morreu quanto com os vivos. Sophie Wild e Joe Bird, que fazem Mia e Riley, brilharam no filme (Zoe Terakes, a Hayley, também manddu muito bem).

Onde assistir: Prime Vídeo

Náusea Total (1987)

Quem vê o Peter Jackson dos filmes de Senhor dos Anéis e Hobbit, nem imagina que o cara fazia umas trasheiras violentas no início da carreira. Náusea total é uma miscelânea de tudo o que o trash pode oferecer: muito sangue, cenas bizarras e um design de produção pra lá de tosco. Claro, existem muitos filmes clássicos nessa categoria: Evil dead (1987), A bolha Assassina (1988) e Re-animator (1985) são só alguns deles — e Náusea total consegue ser tão bom quanto todos eles. O destaque, claro, vai pra direção de Peter Jackson.

Onde assistir: YouTube

Filmes essenciais

O bebê de Rosemary (1968)

Esse daqui não tem mistério. A adaptação de Roman Polansky do romance de Ira Levin é um marco no cinema de terror. Um filme vencedor de dois Oscars e tão influente no gênero quanto O Exorcista (não dá pra dizer o mesmo da sequência). Vale o play, e pra quem escreve terror, vale até mais de uma vez, eu diria.

Onde assistir: MUBI

A noite dos mortos vivos (1968)

Eu já falei aqui sobre a correlação que vampiros e zumbis possuem com questões raciais. No caso dos zumbis, muitas das analogias são parte de uma interpretação iniciada por George Romero lá na década de 1960, com A noite dos mortos vivos. Esse é mais um dos casos de filmes que não tem o que se falar que já não tenha sido dito. Mas, uma dica: o restante da franquia Living Dead também segue bastante interessante, sempre trazendo discussões interessantíssimas a sociedade estadunidense.

Onde assistir: PLEX

Drácula de Bram Stoker (1992)

É difícil selecionar um filme do Drácula no meio de tantas releituras e obras clássicas, como Nosferatu (que saiu em 1922 quase que como uma fanfic da obra do Bram Stoker e vai ganhar remake por Robert Eggers, de A bruxa e O farol) ou Drácula, de 1931, com Béla Lugosi dando vida algumas das cenas mais famosas quando pensamos no vampirão. Eu, particularmente, fico com a de Coppola porque, além de ser uma das que mais me marcou, tem um trabalho magnífico de design de produção: figurinos, locações, cenários e um elenco fora de série. Tem uma ou outra mudança com relação ao original, mas à menos que você seja muito cricri com isso, nada demais.

Onde assistir: Prime Video

À meia noite levarei a sua alma (1964)

José Mojica Marins é o nome da fera. Impossível não falar de terror nacional sem pensar automaticamente em Zé do Caixão. À meia noite levarei sua alma é um clássico absoluto do gênero, um dos cem melhores filmes brasileiros de todos os tempos pela Academia Brasileira de Cinema e que tem um dos posters mais bonitos do cinema nacional. Uma história que traz muito do jeito brasileiro de ver a relação com a morte e com os espíritos. Vale muito a pena.

Onde assistir: Globoplay

Outsides

Essa categoria é focada em filmes bem mais nichados que recomendo bastante, mas que talvez exijam mais paciência/experiência do expectador.

Un chien andaluz (1929)

Pra quem se interessa por surrealismo, a obra de Luis Buñuel e Salvador Dali não é novidade. Um cão andaluz ganhou status de clássico cult nos últimos anos por apresentar uma narrativa surrealista, sem uma sequência lógica de acontecimentos ou uma narrativa a ser contada, apenas imagens descontextualizadas. Fato é que o filme tenta reproduzir um pesadelo a partir da perspectiva freudiana (inclusive, a construção dos sonhos e a psicodelia no terror são temas que quero abordar aqui no futuro). Recomendo bastante o play, deixando claro que tem algumas cenas bem angustiantes.

Onde assistir: YouTube

Mystery of the wax museum (1933)

A casa de cera (2005) com Sam Padalecki e Paris Hilton foi um dos filmes que mais assisti na vida porque, por muitos anos, não tínhamos dinheiro pra comprar filmes novos e a maior parte do estoque de DVDs lá de casa vinha de uma antiga locadora da melhor amiga da minha mãe. Mas fiquei bastante surpreso quando descobri, recentemente, que o filme de 2005 é um remake de Wax museum, de 1953 — que, por sua vez, é um remake de Mystery of the wax museum, de 1933. Inclusive, é o segundo filme de terror filmado em technicolor, o primeiro processo de coloração de filmes e que só foi substituído na década de 50 do século XX com o negativo colorido imbutido numa só câmera (antes eram usadas 3 pro processo de coloração).

Onde assistir: Internet Archive (áudio em inglês e sem legendas).

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